Um tema só, e uma máquina que vende de madrugada.

Em maio de 2022, a Jacquemus levou a Londres um novo capítulo da série de pop-ups que vinha espalhando pelas capitais da moda europeias, depois de Milão e Paris. Le Bleu ocupou três pontos dentro e ao redor da Selfridges, na Oxford Street, de 3 de maio a 4 de junho. O conceito, definido pela própria loja, era uma releitura surrealista do banheiro de Simon Jacquemus: água, azulejo azul-claro e objetos de higiene em escala absurda. O projeto foi criado pelo estúdio de design de experiência Random Studio em colaboração com a marca, e servia tanto para vender peças exclusivas quanto para apresentar a coleção de primavera-verão 2022.
A loja principal era The Corner Shop, o espaço de varejo criativo da Selfridges, forrado de azulejos azul-claros. Na vitrine, um tubo de pasta de dente transparente e gigante derramava fitas de gel vermelho e branco. Dentro, uma banheira superdimensionada, esponjas, chuveiros e pias funcionavam como expositores dos produtos exclusivos e das peças da coleção. No meio da loja, um copo gigante com uma pastilha efervescente borbulhava sem parar, ideia que nasceu quando o estilista viu um comprimido dissolvendo na água e que ele descreveu como uma instalação de ASMR visual, feita para acalmar o olhar de quem passava.
Atrás da loja, na Edwards Mews, ficava o 24/24: uma máquina de venda automática em tamanho real, aberta 24 horas por dia, com edições exclusivas das bolsas Chiquito e Bambino. A entrada era uma abertura circular que dava para uma sala quadrada, com fileiras de cinco por cinco de bolsas e acessórios dentro de máquinas azul-escuras superdimensionadas. A máquina de bolsas era a assinatura da série que a marca já tinha levado a Milão e Paris, e aqui ganhou a função de manter a venda ativa mesmo com a Selfridges fechada.
A terceira instalação, Le Vestiaire, ocupou o Old Selfridges Hotel, antigo hotel transformado em espaço de pop-ups. Inspirada em vestiários de piscina, tinha azulejos azuis nas paredes, no piso e no mobiliário, balcão curvo de recepção diante de uma parede de toalhas enroladas e, ao fundo, armários e cabines que escondiam instalações e experiências 3D inspiradas nos filmes de Jacques Tati. Foi a favorita do estilista, que a descreveu como a primeira vez que a marca investia num espaço assim. A matéria não traz números de público ou de vendas; registra a série como a mais recente de uma sequência de pop-ups da marca pelas capitais da moda.
“I wanted to create crazy and unrealistic installations”
Simon Jacquemus · Dezeen
Força em cada pilar e o que a mecânica entrega em cada um.
Vitrine com um tubo de pasta de dente derramando gel; a fachada funciona de noite, com fila.
Monocromia como código: azul em tudo, expositor é banheira, é pia, é esponja.
Três instalações em três pontos fazem a pessoa percorrer a loja; a máquina estende o horário de venda.
As fontes lidas para este case, com link direto.
“a kind of visual ASMR installation in the middle of the Corner Shop”
Simon Jacquemus · Dezeen
“surrealist reimagining of Jacquemus founder Simon Jacquemus' very own bathroom”
Selfridges · Dezeen